O DOM DO ENCORAJAMENTO NO MEIO DA IGREJA
- Jeane Chaves
- 28 de nov. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2025
“Deus, em sua graça, nos concedeu diferentes dons. Portanto, se você tiver a capacidade de profetizar, faça-o de acordo com a proporção de fé que recebeu. Se tiver o dom de servir, sirva com dedicação. Se for mestre, ensine bem. Se seu dom consistir em encorajar pessoas, encoraje-as. Se for o dom de contribuir, dê com generosidade. Se for o de exercer liderança, lidere de forma responsável. E, se for o de demonstrar misericórdia, pratique-o com alegria". (Romanos 12:6-8)
Os dons fazem parte da vida do cristão. É muito improvável que cada um de nós que já desfruta da obra consumada de Cristo, não tenha recebido pelo menos um dom concedido pelo Espírito Santo.
Os dons são distribuídos conforme a vontade do Espírito Santo para a edificação da Igreja, ou seja, um dom nunca tem um fim na própria pessoa que o recebeu, porque o objetivo final dele não é solitário ou egoísta, mas se trata do corpo, do coletivo, da comunidade, da família de Deus. (1ª Coríntios 12:7).
No meio da cultura cristã, principalmente a continuísta (doutrina que defende a manifestação de todos os dons espirituais ainda nos dias de hoje - a qual sou adepta), alguns dons e ministérios têm sido mais almejados que outros, ou considerado mais elevados. Geralmente os dons que podem atrair uma maior visibilidade pública são aspirados, enquanto outros são menosprezados ou parecem pouco necessários.
Por um desvio da motivação do nosso coração, por vezes almejamos dons e ministérios para auto promoção. Principalmente em tempos onde focamos tanto sobre quantos seguidores temos nas redes sociais, quantas pessoas visualizaram nosso story, e curtiram nossa foto.
Você pode se perguntar: então se eu recebi um dom, ou um ministério que me põe em evidencia eu devo me esconder? Devo rejeitar? A resposta é: não. Quer você tenha recebido um dom que te ponha ou não em evidência, viva o ministério, exerça o dom, mas lembre sempre ao seu coração o dom é para a edificação da igreja e para a glória de Deus.
Através de uma discípulo que viveu nos tempos da Igreja Primitiva, vamos destacar e observar um desses dons que o apostolo Paulo cita na passagem em Romanos 12 e que podemos ser tentados a tratar com desprezo ou pouco valor, mas que faz uma enorme diferença no meio de uma comunidade da fé. Um dom que está ficando escasso em nossos dias: O dom de encorajar pessoas.
O ENCORAJAMENTO E UM ENCORAJADOR
Paráklesis. A palavra usada no grego para encorajamento, significa basicamente "um chamado a se colocar ao lado de alguém". O encorajador se aproxima de pessoas ou as trazem para perto de si, afim de exortar, estimular, incentivar, dar alegria e confortar.
Um dos maiores exemplos bíblicos que encontramos nas Escrituras para observar o encorajamento no meio da comunidade cristã está no livro de Atos. Um levita da região de Chipre, chamado José, mas que foi batizado pelos apóstolos com o nome de “filho da consolação”, ou “encorajador” que é o significado dado ao nome Barnabé. (Atos 4:36-37)
Geralmente a principal lembrança que temos quando pensamos em Barnabé é a da sua primeira viagem missionária com Paulo em Atos 13, mas antes disso, antes de Barnabé receber o título de um dos primeiros missionários da igreja primitiva, a Bíblia fala dele para chamar a atenção sobre sua atitude de um crente encorajador.
A Bíblia não dá muitos detalhes do porquê os apóstolos deram a José de Chipre esse novo nome, mas se olharmos a participação de Barnabé na história da igreja narrada em Atos, não é difícil perceber o quanto ele de fato era um encorajador e manifestou essa atitude de encorajamento em muitas ocasiões, em circunstâncias difíceis e de diversas formas. Vejamos:
Encorajamento pela generosidade (Atos 4:36-37)
A primeira vez que Barnabé aparece encorajando é contribuindo por meio da sua atitude generosa. É compartilhando do que ele tinha para a causa da pregação do evangelho e para as necessidades dos irmãos na fé, e não agindo por ambição egoísta. É provável que ele fosse alguém com uma condição mais abastada, mas a generosidade não tem a ver com a quantidade de riquezas materiais que possuímos, mas do coração desprendido das coisas dessa terra e de interesses egoístas. Caso contrário Jesus não teria usado a viúva que depositou no gazofilaço apenas duas moedas como exemplo da maior das ofertas. (Marcos 12:41-44)
Encorajamento pela promoção de relacionamentos (Atos 9:27)
Em Jerusalém, os discípulos duvidaram da conversão de Saulo, mas Barnabé deu testemunho dele, encorajando os discípulos a o receberem e o tornarem parte do grupo. Parece uma coisa simples, mas no meio das nossas igrejas existem muitas pessoas solitárias ou deixadas a parte, que precisam de um Barnabé para que elas possam ser incluídas na comunidade e desenvolvam o seu chamado plenamente.
Encorajamento pelo incentivo à vivência da vocação e do potencial das pessoas (Atos 11:25- 26)
Ao se deparar com a grande demanda de gentios convertidos interessados em aprenderem mais dos ensinos de Jesus, Barnabé vai à procura de Saulo e o leva até Antióquia, lugar onde ele serviria com a sua vocação. Até que ponto no meio da igreja temos encorajado uns aos outros a exercermos a nossas vocações? O quanto temos incentivado pessoas a se envolverem com a causa do evangelho, demonstrando o quanto eles são úteis ao Reino de Deus, o quanto elas podem oferecer a partir do que Deus as entregou e serem ativas no no serviço ao Senhor?
Por muitas vezes o que vivenciamos em nosso meio é centralização, competição por títulos e cargos, quando o próprio Jesus que poderia fazer tudo sozinho, escolheu e incluiu discípulos para partilhar do ministério com Ele e continua nos incluindo até hoje.
Encorajamento à perseverança na fé (Atos 11: 23 e 26)
Após uma onda de perseguição, discípulos se dispersam por várias regiões pregando o evangelho que chegou aos gentios em Antióquia, e ali Barnabé encoraja eles à fé de tal maneira que uma multidão de gentios crê em Jesus, e esses convertidos são a primeira vez chamados de "cristãos".
Se, ser um judeu que cria em Jesus não era bem visto aos lideres religiosos, ser um gentil convertido também não era tão recepcionado entre muitos dos judeus que, mesmo após os ensinos de Jesus, ainda agiam como se a salvação de Deus fosse somente para eles.
É preciso nos empenharmos em ajudar os novos na fé a perseverarem na sua transformação, no deixar de pecados, da renovação da mente.
Encorajamento por oferecer uma nova chance a quem havia falhado (Atos 15:36 - 38)
Um discípulo chamado João, também conhecido como Marcos, era companheiro de Barnabé e Paulo na pregação do evangelho. Durante a primeira viagem missionária, Marcos abandona a missão, e por esse motivo na viagem seguinte Paulo e Barnabé se desentendem, pois Paulo não queria levar Marcos, enquanto Barnabé insistia em dar a ele uma segunda chance.
Paulo teve seus motivos plausíveis, mas se não fosse o encorajamento de Barnabé em oferecer uma nova chance, provavelmente até hoje Marcos seria conhecido na história somente como aquele que abandonou a missão e não aquele que se tornou "muito útil ao ministério", que é como Paulo o descreve lá na frente em 2ª Timóteo 4:11.
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É necessário nos analisarmos, e se necessário, nos arrependermos da motivação por trás da nossa busca e exercício dos dons. No serviço de proclamar as Boas Novas e no cotidiano da vida como igreja, precisamos treinar a nossa habilidade e disposição ao encorajamento.
O encorajamento é um dom espiritual, mas ainda que nem todos o recebam dessa maneira, ele também é um reflexo do próprio Espírito Santo, pois Ele mesmo é o chamado Consolador, Encorajador das nossas almas (João 14:16). Ele é quem nos ajuda a orar, a vencer as tentações e a crescer em fé. Ele nos ensina sobre Deus, enxuga nossas lágrimas, nos abraça no luto, nos corrige em amor, nos mostra o Caminho, nos abençoa em abundância nas gloriosas riquezas de uma nova vida que Jesus conquistou para nós. Ele é aquele que se coloca ao nosso lado, que se aproxima de nós.
Quando praticamos o encorajamento refletimos o próprio Espírito de Deus que habita em seu povo.
Por: Jeane Chaves Ramos



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