O CHAMADO DE ISAÍAS
- Jeane Chaves
- 21 de fev.
- 5 min de leitura
Atualizado: 2 de mar.
LEIA: ISAÍAS 6:1-8
Isaías é um dos profetas mais conhecidos da Bíblia. Seu nome significa Deus é Salvação, o que combina com a mensagem profética que Ele anunciou. Profetizou para o povo de Jerusalém sobre arrependimento, o juízo de Deus e sua restauração. Isaías foi um profeta messiânico. Grande parte da sua mensagem apontou tanto para o nascimento do Cristo, como algumas vezes até para a sua vinda escatológica. Isaías é também o profeta mais citado no Novo Testamento.
Isaías não só teve um ministério importante como também teve um chamado surpreendente. A porção bíblica que se refere ao seu chamado é bastante conhecida e inclusive amplamente utilizada em eventos com o temáticas em missões. Um olhar mais reflexivo e observador ao chamado de Deus a esse profeta, nos faz deparar com apontamentos importantíssimos sobre aspectos que antecedem o nosso encontro e disposição obediente ao chamado de Deus para ser um parceiro em sua missão. Vejamos:
ANTES DO CHAMADO ISAÍAS "VIU O SENHOR" (IS.6:1-4)
"No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo...."
Isaías teve um visão literal do Trono de Deus. Deus o permitiu esse vislumbre surreal e incomum. Ele viu Adonai, o Rei governante absoluto e glorioso. O profeta teve um impacto com a realidade majestosamente assombrosa e onipotente do Deus soberano.
Já percebeu como por vezes queremos viver o chamado de um Deus que nem sabemos se de fato acreditamos? Não sei se Isaías possuía um coração incrédulo e vacilante como muitas vezes é o meu, mas depois de uma visão como essa, acredito ser improvável restar dúvida da Mensagem a ser anunciada e da capacidade do Dono dela para a fazer cumpri-la.
Não quero dizer que teremos ou precisamos ter a mesma experiência de Isaías (uma visão literal do Trono de Deus). Para nós aqui, quero reforçar esse beneficio de ver a Deus como a oportunidade de termos Ele revelado ao nosso coração ao passo que conhecemos e prosseguimos em conhecê-lo. À exposição de quem Ele é, seu poder, sua glória e soberania mediante a ação relacional nossa com Deus. Quanto mais o contemplamos, ou seja, o vemos, mais somos convencidos da sua realidade, seu poder e da sua mensagem.
ANTES DO CHAMADO ISAÍAS SE DEPAROU COM A SUA PRÓPRIA CONDIÇÃO MISERÁVEL (IS. 6:5)
"Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!"
O impacto de ver a Deus, de conhecer o Senhor, trouxe a Isaías confronto e o convenceu do seu próprio pecado, sua fraqueza e vulnerabilidade em comparação à santidade de Deus. A exposição à presença de Deus, que é a luz, expõe nossas misérias.
A vulnerabilidade confessada por Isaías
Alguns pregadores costumam remeter a expressão "lábios impuros" à baixo linguajar, mas olhando para o contexto, percebemos que Isaías viveu em uma época em que o povo de Deus falava algo com seus lábios enquanto seu coração estava distante. Um povo que vivia de aparências e performance espiritual. (em Isaías 29:13 Deus aponta isso).
A impureza que Isaías confessa pode então certamente estar ligada à lábios mentirosos, o fato de dizer a Deus e as pessoas com a boca aquilo que não é a verdade do coração.
Se desejamos trabalhar para Deus precisamos ser honestos e sinceros diante dele. Não podemos negar e seguir no estado falho de pecado. Precisamos nos convencer da nossa realidade e de quão indignos somos de Deus.
Isaías era um homem erudito da sua época , no entanto disse: “Ai de mim!”. Esse tipo de expressão na Bíblia está ligada à juízo e lamentação.
“Enquanto podia se comparar com outros mortais, ele era capaz de manter uma opinião elevada sobre seu próprio caráter. No instante que ele se mediu diante do padrão último, ele foi destruído – moralmente e espiritualmente aniquilado”(R. C. Sproul).
A reação de Isaías nos leva a compreensão de que alta posição, conhecimento, talentos e capacidades não é régua de conceito para Deus, mas o imprescindível estado do coração.
ANTES DO CHAMADO ISAÍAS FOI TOCADO PELO SENHOR NAQUILO QUE ELE PRECISAVA SER PESSOALMENTE ALCANÇADO (IS. 6:6-7)
"Então um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz. Com ela tocou a minha boca e disse: 'Veja, isto tocou os seus lábios; por isso, a sua culpa será removida, e o seu pecado será perdoado'."
Isaías não negou e nem escondeu suas faltas diante de Deus, pelo contrário. E essa honestidade com o Senhor não o desqualificou para a Missão, mas deu a ele oportunidade de ser especificamente transformado e capacitado para um serviço útil.
Se queremos trabalhar para Deus, precisamos nos render à sua constante cura e a transformação, sem isso corremos o sério risco de desenvolvermos o chamado à mesma medida que comprometemos a saúde de ministérios e pessoas.
“Se confessamos a Deus os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar dos pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1ª João 1:9)
E então, após tudo isso, finalmente chegamos ao chamado de Isaías.
A VOZ QUE CONCLAMA (IS. 6:8)
"Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: "Quem enviarei? Quem irá por nós? " E eu respondi: "Eis-me aqui. Envia-me! "
Tenho um apreço pelas palavras que a Nova Versão Internacional (NVI) utiliza para transcrever a convocação de Deus a Isaías. Ela diz que a voz do Senhor conclamou.
Conclamar significa chamar em alta voz, reivindicar algo com autoridade.
Esse tom utilizado pelo Senhor no chamado ao profeta nos faz lembrar do mesmo que Jesus usou em Mateus 28:19. Um tom imperativo: "Ide por todo mundo...".
O questionamento do Senhor àqueles que irão por Ele não foi um pedido sofrido a Isaías, nem mesmo aos discípulos contemporâneos de Jesus, ou a nós. É uma convocação em autoridade ao que é seu.
Somos do Senhor, e Ele reivindica àquilo que é seu por direito. O sangue do seu filho Jesus, comprou para Deus homens de toda língua, povo e nação dos quais fazemos parte. O chamado do Senhor à Missão não é uma solicitação sofrida, é como um BRADO que estremece e que reivindica:
“Onde estão aqueles que são meus por direito, aqueles que foram comprados com o sangue do meu filho para a salvação, mas também para serem designados meus mensageiros, representantes do meu nome?” (paráfrase minha).
O que nos faz pensar se anunciaremos mensagem do Senhor ou não? Se correspondemos a seu chamado ou não? Se seremos enviados ou não? Não estamos liberados disso. A única escolha que temos é a de sermos obedientes ou desobedientes.
No caso de Isaías, ele foi consumido por esse chamado de tal modo que, quando o Senhor conclamou, reivindicou aqueles que eram sua propriedade para serem enviados em seu nome, Isaías respondeu: "Eis-me aqui", em outras palavras, "eu sou um deles, envia-me!".
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O Senhor se permite ser conhecido de nós, assim como foi a Isaías.
Expõe a nossa realidade pecadora e miserável diante de nós, como expôs a de Isaías.
Para nos curar e transformar, como purificou os lábios de Isaías.
E nos convoca para algo, para a sua Missão.
Quando ele disser, ou quando ele conclamar, "quem irá por nós?", qual será a sua resposta?
Por: Jeane Chaves Ramos



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